Destaques Notícias

Cirurgião 2.0

Introdução: por Newton Kara-Junior

No Brasil, especialmente na oftalmologia, os principais pesquisadores também são renomados clínicos e/ou cirurgiões. É como se o sucesso profissional, em muitos casos, fosse a sequência natural da trajetória de jovens brilhantes que, após a residência médica, se identificaram com a pós-graduação a fim de ampliar seus conhecimentos para além da prática clínica. Assim, acreditamos que alguns dos jovens mais capacitados para pesquisa e publicações também são aqueles mais proativos na busca da excelência na formação clínico / cirúrgica.

Neste contexto de proatividade na busca pelo aprimoramento técnico, o Dr. Milton Yogi promoveu, durante o congresso Goiânia 2016, uma fantástica reunião para jovens oftalmologistas. Organizada via mídias sociais, o Dr. Milton reuniu cerca de 150 médicos no auditório de um restaurante para discutir como se tornar um cirurgião de sucesso (“Cirurgião 2.0”). O programa consistia no relato pessoal de vários cirurgiões importantes, sobre sua trajetória profissional, seguido por debate.

Ficamos das 20 às 23 hs, de um sábado, conversando agradavelmente sobre como ser um cirurgião melhor. O mais incrível era que se tratava de um jantar por adesão, em que todos, inclusive os apresentadores, pagaram, sendo que no mesmo restaurante, estava acontecendo outros dois jantares corporativos gratuitos, de laboratórios que provavelmente também haviam convidado a maior parte dos participantes.

Foi a primeira vez que dezenas de jovens oftalmologistas abriram mão de jantar de graça e de sair em um sábado de congresso para se reunir e discutir temas profissionais. Considero esta marca do Dr. Milton um divisor de águas na oftalmologia brasileira. Pois mostrou que a nova geração de oftalmologistas está disposta a depender menos da indústria, inclusive pagando para obter informações livres de vieses comerciais. A seguir, o Dr. Milton apresentará um resumo do que foi discutido na reunião.

 O EVENTO

Por Milton Yogi, UNIFESP, Instituto da Visão/IPEPO, Hospital Cema, Hospital Beneficência Portuguesa SP/Benvista, Fundação Hilton Rocha.

Durante o Congresso do CBO em Goiânia, realizamos um jantar “Off Broadway”, fora do circuito do evento das empresas, que foi simplesmente o maior e mais concorrido.

Abri um convite on-line por adesão, mas a reação foi surpreendente: o restaurante Coco Bambu reservou o maior salão para nosso evento, que lotou além do previsto e fomos obrigados a acomodar colegas e infelizmente recusar alguns de última hora. Isso foi uma amostra do sucesso, mas o mais impactante foi a chama e brilho que a interação entre palestrantes mestres e jovens (e outros não tão jovens) tiveram naquela noite. O tema foi sobre o cirurgião 2.0, e tratamos sobre uma nova visão, um posicionamento, atitudes e formação de um cirurgião para os próximos anos.

Para minha surpresa, foi um tema que despertou paixão e reacendeu em muitas pessoas uma nova visão de caminho a seguir. Por outro lado, foi uma grande lição de humildade e aproximação dos palestrantes para com os colegas. Quem compareceu ali passou-nos as melhores impressões, transcendendo em muito o que esperávamos. Mais do que técnicas e equipamentos, os palestrantes ressaltaram a importância da escolha feita com o coração e amor pelo que se faz e ao paciente, e o papel da educação continuada e aperfeiçoamento constante. Foi um momento em que os experts abriram o coração e mostraram o valor da emoção e da paixão na nossa especialidade.

Mais do que relatos, seguem alguns testemunhos dos colegas que estiveram no jantar independente realizado durante o último congresso do CBO em Goiânia. Os palestrantes foram: Drs. Bruna Ventura (Recife), Richard Hida (SP), Wagner Dias (BH), Renato Klingelfus (SP), Celso Nakano (SP), Fenando e Lilian Nogueira (DF), Newton Kara-Junior (SP).

“A noite do sábado no Congresso do CBO foi diferente, inusitada. O que começou como um encontro despretensioso de amigos e colegas de todo o Brasil, sob a liderança do Dr. Milton Yogi, se tornou um momento riquíssimo de troca de experiências. Tivemos o privilégio de compartilhar ideias e discutir um tema muito interessante e atual, que é o “Cirurgião 2.0”. Atualmente, vivemos uma época incrível da oftalmologia, em que podemos oferecer muito aos nossos pacientes. Em relação à cirurgia de catarata, por exemplo, não só podemos oferecer a cura da catarata e a restauração da visão, mas podemos fazer isso de forma muito personalizada. Durante o jantar do sábado, foi ressaltado como é importante a educação continuada; estar inserido em um ambiente que permite e incentiva o ensino; fazer uma oftalmologia de ponta sem esquecer o lado humano, que é tão importante na relação médico-paciente; e se dedicar desde cedo na carreira, com objetivos claros, para alcançar a definição que cada um tem de “Sucesso”.

Sem dúvidas, foi uma noite que gerou muita inspiração em todos os que estavam presentes. E, seguramente, essa inspiração dará muitos frutos que beneficiarão milhares de pacientes espalhados por todo o Brasil! Mal acabou o jantar, já queríamos planejar o próximo!”

Bruna Ventura, HOPE/Recife, Fundação Altino Ventura.

“Por participar de liga acadêmica e iniciação cientifica na faculdade, comecei a frequentar os congressos de oftalmologia bem antes de entrar na residência e o que aconteceu no sábado à noite do Congresso do CBO eu nunca vi em congresso nenhum e nem nada parecido. Termino a minha residência esse ano. E mesmo não optando por fazer fellow de catarata, fiz questão de comparecer ao jantar. E, particularmente, foi o melhor evento do congresso. Gostaria de agradecer ao Dr. Milton Yogi, a Laryssa Paiva e a todos que participaram da organização, pela oportunidade de ouvir um pouco da experiência e da história de cada cirurgião ali presente.

Não só conceitos técnicos foram abordados, mas também papéis principais da prática médica foram muito bem levantados (à exemplo do Dr. Renato, que nos contou que o seu primeiro contato com a oftalmologia foi como paciente, após um trauma ocular… e que se identificou com a especialidade não pelo financeiro e sim por uma excelente relação médico X paciente com seu professor na faculdade). Espero que seja apenas o primeiro jantar Cirurgião 2.0”,

Thais de Alencar, R3 Policlínica de Botafogo, Rio de Janeiro.

“Acredito que este jantar foi único por podermos, de forma totalmente isenta, conversamos sobre a vida, sobre nós, sobre como podemos ser melhores e isentos. Ser excelente significa sermos fieis a nossos princípios e nossas ideias. Tivemos exemplos reais de como é bom ser médico na essência da palavra! Viva a oportunidade de exercer a medicina na plenitude! Um beijo a todos!”,

Renato Klingelfus Pinheiro, staff do Setor de Óptica Cirúrgica UNIFESP, Setor de Catarata da Santa Casa de São Paulo.
“Durante o 60º Congresso Brasileiro de Oftalmologia, tivemos a inovadora experiência de um jantar sobre o futuro dos cirurgiões de catarata do Brasil! Pudemos desfrutar de conselhos profissionais e pessoais dos mais renomados oftalmologistas da área! A simples presença dos palestrantes experts já era inspiradora. Porém, fomos surpreendidos com suas palestras sobre as experiências pessoais de cada um, suas motivações, dúvidas, dificuldades e superações. Temas de grande relevância para nós que estamos no início da carreira. O conhecimento científico hoje amplamente disponível, abordando aspectos da cirurgia refrativa, aberrometria, LIOs premium, é fundamental ao cirurgião 2.0, como vemos repetidamente em congressos. Porém, tão relevante quanto esse conhecimento, os palestrantes ressaltaram o aspecto humano e ético, além da relação médico-paciente, e a postura profissional. Isso representa uma quebra de paradigma para a área cirúrgica, já que o cirurgião sempre foi visto como alguém extremamente técnico e impessoal. Sempre fui apaixonada pela área de atuação mas essa experiência me motivou ainda mais! Os mentores “pavimentam o caminho de pedras” já que os percalços existem no início de qualquer carreira. Obrigada pela oportunidade e que essa experiência possa se repetir em outras ocasiões. Parabéns Dra. Laryssa Paiva, pela organização!

Mariana Machado de Siqueira, residência em oftalmologia pela UERJ, ex-fellow de catarata e glaucoma pela Santa Casa de Belo Horizonte.

“Uma vez, ouvi dizer que o fim da residência é o fim da nossa ferrovia. Chegamos ao tão almejado destino final, com êxito, cumprindo a programação esperada para nós. Mas quando os trilhos chegam ao seu destino, construir novos trilhos passa a ser uma decisão e não mais uma obrigação. Como diria um sábio mestre: “um plus”. E foi isso que este jantar representou. Além das discussões sobre o que esperar dos nossos pacientes 2.0, das suas exigências e desejos, e do que fazer para sermos esse cirurgião 2.0, que equilibra conhecimento científico extremamente atualizado com uma excelente relação médico-paciente, a parte da trajetória pessoal dos palestrantes foi o plus da noite. Poder ouvir grandes oftalmologistas, que tanto admiramos de longe, contando sobre as suas trajetórias, medos e angústias, tornou os nossos anseios e sonhos mais reais. Poder ver o quanto o fellow é capaz de nos moldar como pessoas e profissionais foi a resposta para querer continuar construindo novos trilhos.

Camila Campelo, R3 Universidade Federal do Triângulo Mineiro.

“Na construção da nossa carreira, almejamos atingir os resultados de maneira cada vez mais rápida, esquecendo, contudo, de definir o traçado mais importante, qual seja, o destino final. Com o excesso de informações que nos é oferecido diariamente, muitas tormentas virão e podemos nos sentir perdidos em relação a qual direção seguir. Poder ouvir de cirurgiões renomados e que admiro que eles também tiveram seus momentos de inquietação e que isso os moveu para suas próprias transformações foi uma experiência única e gratificante. Em geral, vamos para congressos aprimorar nossos conhecimentos científicos, mas esse jantar serviu para engrandecer nosso lado humano e contemplar a relação médico-paciente. A analogia de que um atleta de tiro ao prato, para acertá-lo, não pode mirar o prato e sim aonde este prato estará no futuro me inspirou a pensar no futuro, o que quero dele e como construir as bases para chegar lá. Acredito que o jantar “Cirurgião 2.0” mudou a direção de muitos presentes, inclusive a minha, pelo qual se retrata como um evento imperdível para aqueles que têm a oportunidade de comparecer. Por fim, inspirada na exemplar exposição do Dr. Milton Yogi sobre ser o comandante do centro cirúrgico, vale concluir com a citação de Rosa Berg: ‘Seja o comandante do navio de sua vida. Se errar o caminho, comece de novo, e de novo, e de novo, quantas vezes forem necessárias, MAS VÁ'”,

Julia Furtado Heringer, Fellow de Catarata USP.

“Acompanhar o Dr. Milton Yogi no Facebook, com suas inúmeras publicações nos ensinando através de artigos, de fluxogramas sobre o manejo de complicações, de cirurgias (muitas delas com os temidos “fatores surpresa”), me fez querer ajudar na organização do evento para, de algum modo, retribuir um pouco do que nos é proporcionado. Tinha certeza sim que a reunião seria um sucesso. Porém, não esperava que experiências e por que não dizer conselhos transmitidos por cirurgiões altamente renomados na oftalmologia me despertassem a vontade de auto-superação, de crescimento e determinação. Muito obrigada, Dr. Milton Yogi, pela oportunidade de participar de algo que nunca encontrarei em livros, artigos ou congressos. A mensagem final que sempre levarei comigo é: sim, é possível um dia sermos como nossos mestres, basta querermos e nos dedicarmos para isso!”,

Laryssa Paiva, R3 Hospital de Olhos Aparecida, Goiânia.

“O jantar que inaugura o neologismo Cirurgião 2.0 também inaugura um modelo de encontro descontraído que trata de ciência, sem pretensões de apresentações formais. Cirurgia 2.0 sugere uma evolução, um upgrade na cirurgia de catarata e do cirurgião. Aprendemos, e concluí do jantar, que a cirurgia de catarata será apenas mais um dos diversos novos motivos que forma o novo “cirurgião de cristalino”.

Processos refrativos complexos, desejos cada vez mais exigentes, tanto por parte do paciente quanto da própria comunidade oftalmológica, fazem com que o futuro da cirurgia de extração e substituição do cristalino seja tecnologicamente previsível e “perfeita”.

Além disso, os novos tempos corporativos e de “negócios em saúde chegaram”, acompanhados de toda a estrutura inerente a eles: marketing, metas e gestão. Mas, ao contrário do que poderia sugerir, estes conceitos só tendem a auxiliar, pois chega em um momento em que o foco no resultado é maior do que o retorno financeiro! Conceitos como capital humano, gestão de pessoas e experiência de nossos pacientes vão fazer com que, além das diferenças tecnológicas, toda a estrutura do relacionamento entre médico e paciente seja majorada. O resgate do conceito de bem atender, orientações, screening de pacientes vestidos no que os americanos nomearam de “chair time”, volta a ter o papel mais importante de uma consulta! Por fim, esses novos desafios trarão novas ferramentas para formação do cirurgião do futuro. Além da transferência de habilidades, alguns dos educadores já perceberam, que o professor, preceptor, precisará ser um coach, buscando auxiliar não somente na evidente tarefa técnica e científica, mas como nos desdobramentos de medos, de controles emocionais, de desafios para o aprimoramento e final preparo do “adepto”. Deixo minhas homenagens a todos que, de forma expontânea, fizeram do evento talvez o maior acontecimento para-congresso, em especial na figura do Dr. Milton Yogi, a personificação desses conceitos.

André Berger, Preceptor de cirurgia de catarata há quase 10 anos, atualmente na Unisa, São Paulo. Autor do manual de dicas em catarata. Apaixonado por aprender, ensinar e operar!

“Nunca antes em Congresso algum aprendi tanto em uma “aula” como no jantar Cirurgião 2.0. Não aprendi a operar melhor, a escolher a melhor Lio, nem a realizar melhor a biometria. Não, foi muito mais do que isso, aprendi que temos que ser humildes o suficiente pra compartilhar nossas inseguranças e buscar incessantemente o melhor para nós e, principalmente para nossos pacientes. Foi muito importante pra mim especificamente pois, sou especialista em glaucoma e faço muitas trecs e lido com pacientes me entregando o pouco de visão que ainda possuem (e que farão de tudo para preservar), mas também tenho um desejo interno em me aprimorar como um cirurgião de catarata e entrar no mundo da excelência dessa área atualmente. Percebi que estou no caminho certo, pois se aqueles que já trilharam esse caminho antes de mim, mostraram sábado à noite, que ele terá obstáculos e incertezas, mas se persistirmos e acreditarmos que estamos buscando cada vez o melhor, não tenho dúvidas de que triunfaremos. Foi realmente uma AULA para toda a vida!”,

Lucas Borges Fortes – Oftalmologista do Serviço de Glaucoma do Hospital Banco de Olhos de Porto Alegre.

“O jantar cirurgião 2.0, sem dúvida alguma, foi o melhor evento do congresso. Gostaria de agradecer ao Dr. Milton Yogi pela oportunidade deste contato e à Laryssa Paiva pela impecável organização. Poder participar deste evento com professores de alto nível, dando dicas para todos ali presentes, em sua marioria residentes, foi uma oportunidade fantástica. Todos os professores, em suas aulas informais, tentaram passar o conceito de cirurgião 2.0 e, mais além, falando sobre suas próprias experiências de vida e os fatores que influenciaram em suas escolhas da subespecialidade. Para mim, isso foi surpreendente e, com certeza, me ajudou a confirmar ainda mais a subespecialidade que escolhi, além de ter me proporcionado uma empolgação sem tamanho para manter o foco, continuar estudando muito para, futuramente, conseguir entrar no fellow e realizar este sonho de ser o cirurgião 2.0 catarata e refrativa. Foi realmente uma aula para a vida. Espero que continue com este evento e, com certeza, estarei presente se tiver oportunidade nas próximas edições”,

Wilson Ramos de Oliveira Neto, R2 do serviço VISION, Manaus.

“Inicialmente, por ainda ser um residente de primeiro ano e não ter comecado a prática cirúrgica de catarata, fiquei inseguro em participar do jantar Cirurgião 2.0. Porém, muito mais que uma discussão técnica, tivemos uma coletânea de experiências de grandes nomes da oftalmologia, todos com humildade e abertos para contar os caminhos que devemos tomar para nos tornarmos oftalmologistas de ponta, seja em qual for a subespecialidade escolhida.

Não tenho dúvidas que foi uma inciativa de muito sucesso, que irá permanecer nos próximos anos. Parabéns Dr Milton, por nos estimular a buscar sempre o melhor. Espero participar das próximas reuniões e encontrá-lo também na Fundação Hilton Rocha!”,

Lisandro Liboni Guimarães Rios, R1 Fundação Hilton Rocha, Belo Horizonte.

“Participar do jantar Cirurgião 2.0 foi uma experiência fantástica! O evento contou com a presença de vários oftalmologistas renomados de diferentes serviços que, ao compartilharem conosco suas vivências e ensinamentos, nos deixaram uma mensagem muito importante: devemos sempre buscar uma oftalmologia de excelência! Gostaria de parabenizar o Prof. Dr. Milton Yogi por sua dedicação à oftalmologia e pela elaboração e coordenação do evento, juntamente com a Dra. Laryssa Paiva. Parabenizo também todos os médicos palestrantes por nos incentivarem a estudar, nos mostrarem que haverá obstáculos durante a nossa curva de aprendizado em cirurgia, mas que, com determinação e persistência atingiremos nossos objetivos. Por fim, agradeço também por instigarem em nós, residentes, o desejo por sermos além da média e buscarmos sempre prestar um atendimento de qualidade aos nossos pacientes. Espero que este jantar seja o precursor de outras oportunidades para nos aproximarmos e aprendermos com os colegas”,

Silvia Maia Alves de Lima, R1 Fundação Hilton Rocha, Belo Horizonte.